quinta-feira, dezembro 07, 2006



Desde que o samba é samba.
Caetano Veloso.

Solidão apavora
Tudo demorando em ser tão ruim...
Mas alguma coisa acontece
no quando agora em mim,
Cantando eu mando a tristeza embora
O samba ainda vai nascer,
O samba ainda não chegou,
O samba não vai morrer
Veja o dia ainda não ruim
O samba é pai do prazer
O samba é filho da dor
O grande poder transformador
A tristeza é senhora,
desde que o samba é samba é assim
a lágrima clara sobre a pele escura
a noite a chuva que cai la fora



Foto tirada da janela do meu quarto... :)
Obrigado pela visita,
comente!

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Em homenagem aos nossos infinitos leitores, três poemas da melhor safra. Não saia daki sem ler pelo menos um. Se você gosta de coisas bonitinhas , comece de baixo para cima.

Renúncia (Manuel Bandeira)

Chora de manso e no íntimo... Procura
Curtir sem queixa o mal que te crucia:
O mundo é sem piedade e até riria
Da tua inconsolável amargura.

Só a dor enobrece e é grande e é pura.
Aprende a amá-la que a amarás um dia.
Então ela será tua alegria,
E será, ela só, tua ventura...

A vida é vã como a sombra que passa...
Sofre sereno e de alma sobranceira,
Sem um grito sequer, tua desgraça.

Encerra em ti tua tristeza inteira.
E pede humildemente a Deus que a faça
Tua doce e constante companheira...

Desencanto (Manuel Bandeira)

Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

Eu faço versos como quem morre.

Temas e Variações (Manuel Bandeira)

Sonhei ter sonhado
Que havia sonhado.

Em sonho lembrei-me
De um sonho passado:
O de ter sonhado
Que estava sonhando.

Sonhei ter sonhado...
Ter sonhado o quê ?
Que havia sonhado
Estar com você.
Estar? Ter estado.
Que é tempo passado.

Um sonho presente
Um dia sonhei.
Chorei de repente
Pois, vi, despertado,
Que tinha sonhado.



Espero que tenham gostado.^^

terça-feira, dezembro 05, 2006

Pessoas, vocês que gostam de ler, talvez gostem de escrever, dêem um jeito de me mandar textos e coisas legais para postar.Um textículo:


Esse é para você, quem nem sabe quem é, ou se soubesse nunca encontraria
esse texto.

Myself.


O mundo é assim gigante e pequeno. Tudo
lá fora é tão vasto, e aqui dentro tão apertado... Os pensamentos amontoam os
sentimentos nas prateleiras das dúvidas, e a vida vai indo... e nós sempre
correndo atrás dela. As idéias são tantas, mas tantas que tenho quase um
problema de superpopulação ideológica aqui. As ações, sempre prudentes, tentam
usar os pensamentos para filtrar as idéias e disfarçar os sentimentos. Profunda
( essa última frase ), daquelas que a gente lê umas dez vezes e só vai entender
no dia seguinte... Esses bichos: as idéias, os sentimentos, as ações, as
vontades, fazem uma barulhada só. Só, encontro o silêncio, com as janelas
abertas para as estrelas que eu já não vejo, atrás da fumaça das nuvens. Só, com
o monitor apagado, quando todos já foram dormir, eu acho que vejo alguma coisa
lá fora... será você? ou não?..... Não, é minha fada, a imaginação. Ela te traz
até aqui de quando em vez, naquele quietinho do jardim, no vazio da solidão. E
como quem ganhou o mundo num dia só, eu durmo, sorrio e sonho.

domingo, dezembro 03, 2006

Um baita poema de uma menina sem nome, de um site sem endereço.... ( o que eu tentei explicar é que é um poema de uma desconhecida, num site nem um pouco famoso )

Posse
>>Quero ser sua
>Mesmo que teu calor dure
>Um fio de sol no matagal
>Um silêncio de minuto em funeral

>>Nosso amor é frágil
>Imagem de meninas sorrindo
>Leve como uma pena caindo

>>A meia lua reflete os pedaços de pano no canto do colchão
>A noite tem seu cheiro
>Tem um trampolim para qualquer ilusão
>E a nossa paixão perdura
>Feito tinta de canetas vagabundas
>Diluindo como grãos de açúcar
>( Falso mel, Falsas criaturas )

>>Ainda quero ser sua
>Antes que você conheça
>Dores de Afrodite, Vênus e da Lua
>Não te peço planetas
>Estrelas, fiquem aonde brilhem com razão
>Largue seriedades na sala
>No engarrafamento das crianças saindo
>No futuro que guarda sua mão

>>Só quero ser sua
>Uma premissa simples, sem lei
>Meu apelo feliz
>Uma taça vazia
>Nosso instante de paz.
Flávia
tirei de http://www.dominiofeminino.com.br/cultura/danetpoesia.htm

sexta-feira, dezembro 01, 2006

O burro


Tanto barulho
tanta propaganda
quanto choro.
Eles não tem riso
nem rosto
nem nome
nem privada
nem nada
e de tanto ouvir
não e não e não
como esperam que eles saiam do chão?

Quando erguem a mão, ou melhor
colocam a mão, com toda a razão desse mundo,
num tênis que custa um salário mínimo,
sim, um tênis...
comprado com dinheiro roubado,
dinheiro roubado dos trabalhadores...
(A escravidão não acabou meus amigos,
ela apenas mudou de nome
e está apenas começando.)
Lucro implica em vantagem,
vantagem de quem em cima de quem?
Bom, eu estava falando do tênis.
E descobri que o capitalismo é um roubo.
E se um salário mínimo não paga um tênis
de um mínino mimado que nunca trabalhou na vida...
Eu digo que não só o capitalismo é um roubo
mas que a democracia é uma bobagem.
E quando um menino tira o tênis do outro.
Ele é um ladrão, o burro, o ignorante, o malandro.
O palhaço e a piada, o bandido, o negro, o burro.
Bandido, o burro, safado, malandro burro,
ladrão, burro, ignorante, o burro, burro
burro,
burro...
(e o proconceito continua infinitamente para o além, tranqüilo contente e feliz, saltitando pelo caminho)
É quem trabalha para não receber
luta para não vencer.
Come não porque é gostoso,
mas come para não morrer.

Você já pensou que para você ter o que tem alguém tem que não ter alguma coisa?
Obrigado por ler, nos visite mais vezes!